Arquivo de 17 de Abril de 2008
Pesquisa mostra que população quer mais ação social que policial
Segundo levantamento da Fecomércio, setor investiu R$ 28,7 bi em segurança privada.
Educação para crianças e emprego para jovens são vistos como solução para violência.
Alba Valéria Mendonça
De acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira (16) pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio) a violência e a criminalidade têm um impacto brutal sobre o comércio no estado. O levantamento, feito com mil pessoas em fevereiro deste ano, mostra que a sociedade vê nas ações sociais de longo prazo voltadas para a educação de crianças e emprego para jovens uma solução efetiva para diminuir a violência.
Segundo o presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, de 2002 a 2007, o comércio no estado gastou R$ 28,7 bilhões com segurança privada - vigilantes e equipamentos. Montante que equivale a 2,38% do faturamento médio das empresas no período. Se aplicado na geração de emprego, poderiam ser criados 1,9 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, no estado.
“Neste mesmo período, de acordo com o Ministério do Trabalho, foram criados 621 mil empregos formais no estado. Ou seja, a violência tem um grande impacto sobre o setor. O comércio representa 70% do total de empregos formais no país e 80% no Rio,ou seja, emprega 2,7 milhões de pessoas no Rio. Somos a porta de entrada de muitos jovens no mercado de trabalho e, por estarmos perto da sociedade, um termômetro do pensamento da população”, disse Diniz, ressaltando que a pesquisa pode ajudar as autoridades no desenvolvimento de políticas públicas de segurança.
Educação e emprego
A pesquisa - realizada em 70 cidades e nove regiões metropolitanas - mostra que a sociedade acredita nas ações de longo prazo, como educação e lazer para crianças e geração do primeiro emprego para jovens, para solução da criminalidade. Mais até que o trabalho ostensivo de segurança.
“O percentual da população que acredita que programas como o primeiro emprego são a solução para tirar os jovens da criminalidade passou de 25% dos entrevistados em 2007 para 32%, este ano. Enquanto que colocar policiais nas ruas passou de 46% para 37%, na preferência das pessoas. A sociedade é sábia. Ela identifica e percebe que o perfil dos que estão mais suscetíveis à violência são os jovens”, detalhou Diniz.
Segundo ele, o tempo todo durante a pesquisa a população dá sinais de que é fundamental que o poder público se ocupe das crianças e dos jovens, como alvos de desenvolvimento de políticas públicas contra violência no país.
“Na escolha entre a bala e o livro, a população escolheu o livro como melhor solução para resolver o problema da criminalidade. A inclusão social é o caminho. Ela mostra que está saturada com a violência e que inclusive aceita um aumento de impostos para que a verba fosse investida para combater a criminalidade, caso seja necessário”, disse o presidente da Fecomércio.
Sensação de impunidade aumentou
Diniz destacou que a sociedade também acredita que as leis para combater a violência têm de ser mais duras e aplicadas efetivamente.
“A sensação de impunidade é muito grande, cerca de 78% das pessoas ouvidas acham que ela aumentou. Elas querem que a justiça seja mais dinâmica e que as leis sejam atualizadas ou revistas. A percepção da sociedade, acredito que principalmente em função das obras do PAC, do uso da Força Nacional de Segurança e das atuações da Polícia Federal no estado, é de que a segurança pública é uma atribuição do Governo federal. É a União que deve nortear as políticas de segurança. Caberia aos estados adaptar essas leis para as peculiaridades de cada região”, disse Diniz.
No entanto, a população ainda se vê dividida diante da legislação atual. Ao mesmo tempo que exige punição mais rigorosa para os criminosos, não consegue identificar na pirataria um ato criminoso. Segundo a pesquisa, as pessoas não conseguem ver claramente a ligação entre a pirataria e a violência.
“As pessoas ainda acreditam que comprando produtos piratas estão ajudando alguém a obter renda. Isso mostra que tanto os empresários quanto o poder público têm de intensificar as campanhas e mostrar mais fortemente os efeitos nocivos da pirataria para o setor produtivo e para a sociedade, mostrar que ela é um braço do narcotráfico” observou o empresário.
Do G1, no Rio, Alba Valéria Mendonça
1 comentário »Judocas do Projeto Solução ganham medalhas
No fim da semana passada foi realizado o Campeonato Brasileiro Regional de Judô, no Sesc de Guarapari (ES). Vários atletas de Nova Friburgo participaram e conquistaram medalhas, a saber: Diogo de Souza Santos, 31 quilos, e Emanuelle Pereira de Oliveira, 42 quilos, ambos da categoria infanto-juvenil; Christina Queiroz Amaral Duarte, 52 quilos, juvenil (campeões em suas categorias); e Guilherme Ferreira Cordeiro, 81 quilos, juniores, vice-campeão.
Este foi o melhor resultado já obtido por uma cidade do interior do estado do Rio em campeonatos brasileiros da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), ressaltando-se que a final dos juniores foi muito disputada e Guilherme foi batido pelo judoca Osvaldo Pereira, do Flamengo.
A competição contou com representantes das seleções do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que integram a IV Região.
Os atletas friburguenses são inscritos no Projeto Solução, que funciona em Olaria, em parceria com a Associação para o Desenvolvimento Integrado Sustentável (Adis). Eles já estão pensando na próxima etapa do campeonato brasileiro, que agrega os campeões e vice-campeões regionais das seis subdivisões da confederação. O torneio de juniores acontecerá em Manaus (AM), em maio; o juvenil será em junho, em Curitiba (PR); e o infanto-juvenil em setembro, em Recife (PE).
A Voz da Serra - 17/04/2008 
