CONSEG - Nova Friburgo

Conselho Comunitário de Segurança de Nova Friburgo

Arquivo de 7 de Abril de 2008

Conseg quer uma Secretaria de Segurança

Friburguense, engenheiro elétrico e de telecomunicações formado pela Universidade Católica de Petrópolis, empresário do ramo de material elétrico, Zury Alvarez Maurer participa ativamente de entidades e movimentos comunitários. Presidiu a Associação de Engenheiros e Arquitetos (Aeanf) em quatro mandatos (97/99 e 99/2001, 2003/2005 e 2005/2007), sendo seu tesoureiro (2001/2003); foi inspetor-chefe e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). Filiado ao Sindicato dos Engenheiros e ao Clube de Engenharia, é vice-presidente de finanças da Associação Friburguense de Imprensa (AFI) e apresenta o programa “Cidade Real”, ao vivo, às segundas-feiras, 22h, na TV Zoom.
Além de várias atribuições, inclusive familiares (casado, é pai de Gislaine, 9 anos, e José Victor,de dez meses), assume mais uma missão nesta quinta-feira, 27. De diretor de Comunicação ascende, por eleição, à presidência do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Nova Friburgo, para o mandato 2008/2009, oficialmente a partir de 31 de março.
Dizendo que sua atuação voluntária “está no sangue, faz parte do meu DNA”, aceitou o convite como mais um desafio. Nesta entrevista, antecipa seu plano para 2009: aos 50 anos vai cursar Comunicação Social, por descobrir sua veia para a atividade, desde que apresentou o televisivo ‘Hora Técnica’. Enumerando as metas no Conseg, destaca “a informação como fundamental para envolver a sociedade” e anuncia que, “aproveitando o ano eleitoral, vamos comprometer os principais candidatos na criação de uma estrutura de defesa do cidadão; não nos preocupa o nome, qual vai ser a secretaria, temos que ter pessoas qualificadas, pensando estrategicamente na segurança”, diz.
A VOZ DA SERRA - Como foi o processo de eleição do Conseg?
ZURY MAURER - Foi tranqüilo, já vinha sendo tratado desde o fim do ano de forma coordenada, articulada e foi o mais lícito e divulgado possível, até para permitir que outras chapas se inscrevessem, o que não aconteceu. Foi chapa única. Conseguimos, ainda assim, uma votação bastante significativa. A eleição é através do conselho de entidades, 75 por cento delas votaram. Das 38 entidades, dois terços compareceram, a votação foi unânime. Tudo transcorreu com normalidade.
AVS - Qual a sua meta para este ano de mandato?
ZURY MAURER - Entendo que informação é extremamente relevante. A transformação só acontece com informação. Um caso clássico é o Código de Defesa do Consumidor, criado em 1990, mas que, até ganhar força, levou tempo. Da mesma forma é na área da segurança, e segurança hoje é um termo muito abrangente: além da segurança patrimonial, individual, se fala em segurança alimentar, do trabalhador, eletrônica, segurança do trânsito… Segurança passou a ser qualidade de vida. Se não o primeiro, é um dos principais itens de consumo, como saúde, educação, habitação, transporte e emprego. Esta semana iniciamos uma campanha, a princípio na Nova Friburgo AM, com dicas de segurança do cidadão sobre as mais diversas situações. Campanha esta, veiculada diariamente nas classes C, D e E. Estamos expandindo, com adesões da TV Zoom, InterTV e Sucesso FM.
AVS – E quanto às demais iniciativas já em andamento?
ZURY MAURER - Desenvolveremos também a continuidade do diagnóstico da violência e da criminalidade de Nova Friburgo, em fase final de contratação das empresas. Cabe destacar que a Prefeitura tem prestado total apoio, porque o documento permitirá desenvolver o plano diretor municipal de segurança pública. A sociedade civil organizada assume a responsabilidade, já que a Constituição preceitua, de forma muito clara, que segurança ”é dever do estado, responsabilidade e direito de todos”. A sociedade friburguense se mobiliza, com recursos inclusive, para contratar o diagnóstico. Segurança, hoje, tem de ser tratada tecnicamente. As causas da criminalidade e violência são inúmeras, especialmente sociais, mas somente com pesquisa, informação técnica, se pode fazer diagnóstico sobre a realidade e apontar soluções.
AVS – O senhor apontou a informação como prioridade, mas já está comprovado o êxito de projetos sociais e esportivos…
ZURY MAURER - Já trabalhamos neste sentido. Para citar um caso de sucesso, o projeto Solução. O Conseg possibilita assistência financeira mensal ao projeto do professor de educação física, major Carlos Eduardo Hespanha, que atende a 240 crianças de Olaria. Possibilita aos jovens judô de alto rendimento, buscando melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento físico e mental. Incentivamos outras ações, esta é permanente. Não adianta só aperfeiçoar ou otimizar a estrutura de repressão. O trabalho tem que ser para haver menos situações das polícias atuando com força, mas sim, com inteligência.
AVS – O senhor tocou na questão do trânsito. Mas Nova Friburgo não está preparada neste aspecto. Concorda que deveria haver um trabalho maior de planejamento?
ZURY MAURER - Não tenha dúvida. Nossa cidade não tem grandes áreas de ampliação das artérias. O centro urbano está confinado às montanhas. Realmente tem que se fazer um estudo técnico para a disciplina do trânsito. Somente com a adoção de medidas severas se conseguirá retroceder a violência no trânsito. É ainda uma questão educacional, além de medidas técnicas, realmente para disciplinar a circulação de veículos, maior rotatividade em áreas nobres do Centro, locais de estacionamento e, sobretudo, privilegiar o transporte coletivo. Se não houver mudanças significativas, teremos cada vez mais problemas. Existem recursos técnicos. Falta, realmente, coragem para colocar em prática. É preciso que imediatamente o novo governo tome medidas rígidas e severas.
AVS - A atuação da Polícia Militar no trânsito não compromete sua atribuição principal, o patrulhamento da cidade, que garante segurança ao cidadão?
ZURY MAURER - Acredito que sim. Também é uma das finalidades da Polícia Militar, há localidades em que só existe essa alternativa. Mas o batalhão acaba tendo que deslocar efetivo que poderia estar trabalhando no monitoramento de outras situações. Nessa questão do trânsito precisaríamos ter uma autarquia mais forte, técnica, com autonomia e independência para tomar qualquer medida que fosse necessária. E digo mais: deveria ser como o Ministério Público, sem vínculo com qualquer poder constituído, mas com receita destinada às medidas necessárias. E mais: gerenciado tecnicamente. Como é hoje, inibe, restringe, prejudica a qualidade do serviço prestado. Não pode ser na base do amadorismo, da falta de preparo, porque, ao invés de resolver, complica. A PM foi deslocada para essa função por uma questão de natureza jurídica da autarquia local, mas isso terá que ser revisto pelos futuros administradores.
AVS - Nesse diagnóstico, de quanto é o investimento financeiro da sociedade?
ZURY MAURER - Na verdade, é do próprio Conseg. Temos um conselho de mantenedores, com pessoas físicas e jurídicas. Esse diagnóstico custará as nossas reservas cerca de 20 mil reais, disponibilizados às instituições contratadas para elaborá-lo. A sociedade, além de se mostrar atenta, disponibiliza tempo e também verbas, mostrando a grande preocupação em torno da segurança. O plano diretor, diria, já deve perfazer um valor cinco vezes superior, algo em torno de cem mil reais. Aí cabe especialmente ao Poder Executivo; existem recursos disponíveis, bastam ter projetos em nível federal. Esse diagnóstico é preliminar ao plano diretor. Será desenvolvido por uma instituição, o Ceseg, vinculado à Universidade Candido Mendes, com recursos humanos locais. Em 120 dias a cidade será mapeada, indicando onde se registram os índices de violência, por faixa etária, causas, enfim… Depois o plano apontará medidas cabíveis. Uma delas poderá ser o monitoramento por câmeras. Temos várias medidas, mas certamente esta será indicada por se mostrar extremamente eficaz.
AVS - Em sua opinião, por que Nova Friburgo se tornou violenta?
ZURY MAURER - Dois fatores, para não defendermos uma tese. Primeiro, o fato do empobrecimento não só da cidade, mas da região. Por conta disso começamos a ter um aumento quantitativo, e não qualitativo, da população. Esse crescimento desordenado e acelerado promoveu um inchaço da cidade e, aí, segurança não ia ficar imune. O inchaço comprometeu a qualidade de vida: saúde, nosso hospital já deveria ser estadual; educação, não há escolas e creches que dêem conta de atender a todos; habitação, não tem uma política municipal. O último grande projeto foi há mais de 20 anos. E o que acontece aqui se verifica há décadas nas grandes capitais, pólos de atração: índices cada vez maiores de violência e as estruturas acabam comprometidas. Falta investimento, preparo, aperfeiçoamento, tanto profissional quanto da estrutura operacional dos profissionais. Precisa ser revista, urgentemente, a baixíssima remuneração dos policiais do estado do Rio, segunda menor remuneração inicial. Só perde para Alagoas. A violência e a criminalidade estão cada vez mais insustentáveis no Brasil inteiro. Na realidade, o Estado ausente, o crime ocupa. Onde o Estado se mantém, através de uma escola, de um centro de lazer, de uma creche, um posto de saúde, um centro cultural, a bandidagem não tem espaço. Aliás, um outro projeto em que estamos trabalhando com a Secretaria Municipal de Esportes é a abertura de escolas em determinados pontos nos fins de semana. Já houve um trabalho, em determinadas comunidades, com aceitação total. Escolas funcionariam com atividades de lazer, cultura e de diversas naturezas. Já se conseguiu, inclusive, voluntários na comunidade. E estamos tentando junto à Prefeitura pessoal qualificado para este trabalho. As crianças teriam alimentação, pois muitas, infelizmente, só se alimentam durante a semana.
AVS - Num município como Nova Friburgo, com pouco mais de 180 mil habitantes, qual a sua opinião sobre duas entidades atuando na mesma linha? Não se pensou em agregar?
ZURY MAURER - Na realidade, essa é uma característica de alguns movimentos em Nova Friburgo. Normalmente, temos, para uma mesma causa, várias entidades, com o mesmo objetivo, mas não na mesma direção. Isso enfraquece a causa proposta e o objetivo a ser alcançado. Entendo que devemos trabalhar através de projetos, de maneira solidária. Já tive oportunidade de conversar com o Presidente do CCS, dr Carlos Alberto Braga. Disse-lhe que vários projetos poderiam ser trabalhados em conjunto. Acho perfeitamente possível. Ter dois conselhos trabalhando na mesma causa, entendo com absoluta naturalidade. É até melhor, desde que tentem atingir o mesmo alvo. Acho possível um entendimento. Cada um mantendo sua independência, sua autonomia, seus dirigentes, mas nos projetos que forem de interesse conjunto, e principalmente da comunidade, temos que somar. Porque fortalece, traz mais respaldo, consolida as propostas… Também quanto às autoridades constituídas, reconheço seu preparo e treinamento para, justamente exercer as funções, determinadas pela Constituição; por exemplo, as Polícias Civil e Militar. O papel é justamente colaborar. Evidentemente, sempre atentos, acompanhando as medidas, especialmente que não estão sendo tomadas, investimentos que não são feitos. Porque toda a estrutura, que tem um custo elevado, é custeada pelo pagamento de impostos compulsórios. Aí e uma relação de cidadão e cliente.
AVS - Quanto ao problema da carceragem da 151ª DP, qual seria a estratégia de atuação do Conseg junto ao governo estadual para tentar resolver a situação?
ZURY MAURER - Não podemos entender uma cidade como Nova Friburgo, pólo da região, sem uma Delegacia Legal, sem Delegacia de Atendimento à Mulher, nem delegacia de polícia técnica e científica e casa de custódia, que está virando um mito! Precisa ser discutida e esclarecida. A situação hoje de nossa carceragem é de extrema gravidade. A qualquer momento poderemos ser surpreendidos com a interdição. Além do aspecto legal, judicial, já está se tornando caso de saúde pública. Um espaço projetado para entre 70 a 80 presos, abriga 150, estando custodiados tanto detidos preventivamente como os que cumprem pena. Vamos tentar trabalhar com esse impasse, para que se permita a construção num local adequado e possa dar, inclusive, dignidade aos custodiados. A estratégia temos buscado no contato com as autoridades. Estamos trabalhando e vamos fazer prevalecer a condição de termos dois deputados estaduais, Olney Botelho e Rogério Cabral. Segundo, mobilizando a sociedade, de tal forma que em dado momento o governo terá que nos atender. Mobilizaremos a sociedade com campanhas públicas, divulgando as propostas, com a adesão de novas pessoas físicas, jurídicas, outras entidades, aumentando o nosso colegiado.
A nova diretoria do Conseg
A solenidade de posse da nova diretoria do Conselho Comunitário de Segurança de Nova Friburgo (Conseg), acontece nesta quinta–feira, a partir das 9h, no auditório do Senai (Rua José Eugênio Müller 220, Centro). O novo presidente do Conseg, engenheiro Zury Maurer, sucede ao advogado José Carlos Alves.
A nova diretoria do Conseg também é composta pelo arquiteto Sérgio Seixas, o empresário Júlio Cordeiro, o pastor Robson Rodrigues, a jornalista Myrthes Godoy e os advogados Rodrigo Guimarães e Érico Gripp. Completam o quadro outros nove membros, entre integrantes do Conselho Fiscal e suplentes, além de vários voluntários.

A Voz da Serra 05/04/2008

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