Arquivo de Abril de 2008
Estímulos à base de vitórias
Destaque de atletas em competições importantes servem de impulso para dedicação ainda maior das crianças do ‘Projeto Solução’
Na semana passada, uma notícia chamou a atenção dos interessados por revelações no esporte: promessa do judô, o jovem friburguense Guilherme Ferreira Cordeiro, pesando 81 quilos, competidor na categoria juniores do Campeonato Brasileiro Regional 2008, conquistou a medalha de vice-campeão na competição realizada nos dias 11 e 12 deste mês no Sesc de Guarapari (ES). A final da categoria juniores foi a mais disputada e Guilherme foi vencido pelo judoca Osvaldo Pereira, do Flamengo. O destaque do esporte é aluno do Projeto Solução, uma organização não governamental (Ong) que se dedica a ensinar judô para crianças que não teriam como pagar aulas de aprendizado da luta marcial em academias particulares, por exemplo.
Segundo Mário César Knupp de Souza, um dos diretores do Projeto Solução, o objetivo da escolinha em 2008 é aumentar a participação e o desempenho dos atletas nos campeonatos de que participam. Na avaliação dele, o projeto vem dando resultado e as crianças estão correspondendo. “No Campeonato Brasileiro Regional 2008 participaram atletas das seleções do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que integram a IV Região. Do Projeto Solução participaram Diogo de Souza Santos e Emanuelle Pereira Oliveira, da classe 12 anos, classificados no Torneio de Abertura da Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) e Christina Queiroz Amaral Duarte e Guilherme Ferreira Cordeiro, respectivamente, das classes juvenil e júnior, indicados pela comissão técnica da federação. O resultado da competição não poderia ter sido melhor, pois foram campeões em suas categorias Diogo de Souza Santos, 31 quilos, e Emanuelle Pereira de Oliveira, 42 quilos, ambos da categoria infanto-juvenil. Já Christina Queiroz Amaral Duarte, 52 quilos, venceu na categoria juvenil. Este foi o melhor resultado já obtido por uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro em campeonatos brasileiros da Confederação Brasileira de Judô (CBJ)”, destacou o diretor.
Mas se engana quem pensa que eles já estão acomodados com os resultados, pelo contrário, a galerinha já está treinando firme para a próxima etapa do campeonato brasileiro, que agrega os campeões e vice-campeões regionais das seis subdivisões da confederação. O torneio de juniores acontecerá em Manaus (AM), em maio; o juvenil será em junho, em Curitiba (PR); e o infanto-juvenil em setembro, em Recife (PE). Por isso as aulas no projeto não param e acontecem todos os dias durante todo o ano. A única época em que é possível encontrar o galpão onde o projeto funciona fechado é no período entre o Natal e o Ano-Novo. Mas tão logo esta semana termine, os treinos são retomados.
A escolinha de judô já conta com 70 competidores federados. Os treinos acontecem todos os dias. O jovem Guilherme Ferreira Cordeiro, campeão carioca, brasileiro e pan-americano na categoria juvenil em 2007, é um dos maiores destaques do projeto. Tanto que chega a ser usado como exemplo de bom aluno que se tornou campeão, para estimular os demais alunos a seguirem o mesmo caminho. O estímulo parece dar resultado, pois, além das últimas conquistas coletivas, o Projeto Solução conquistou o 6º lugar na pontuação geral do Campeonato Carioca 2007 e foi, entre as agremiações do interior, a campeã.
Além do aperfeiçoamento dos golpes no tatame, judocas dão atenção especial ao preparo físico na academia do projeto, montada com aparelhos doados por parceiros do SoluçãoPara se tornarem campeões, meninos e meninas se empenham exaustivamente no Projeto Solução para chegar à perfeição dos golpes exigidos dos atletas de ponta. A ong se destaca como referência no ensino da luta.

A Voz da Serra, 26 a 28 de abril de 2008.
www.avozdaserra.com.br
TRÁFICO DE DROGAS ADOTA NOVA ROTINA EM FRIBURGO
Segundo o delegado Flávio Narcizo, prisão de traficantes fez aumentar 400% o furto de carros
Pesquisa mostra que o índice de furto de veículos no Estado reduziu 8,8% em 2007. O ISP (Instituto de Segurança Pública) constatou que foram registradas 31.849 ocorrências entre janeiro e dezembro de 2007, o que significa uma diminuição de 8,8% em relação ao ano de 2006. Este é o melhor índice desde 2002, revela a pesquisa. Em contrapartida, nos três primeiros meses deste ano, Nova Friburgo sofreu com o aumento súbito dos casos.
No primeiro trimestre de 2008, Friburgo contabilizou um aumento de 400% do índice de furto de carros em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Flávio de Almeida Narcizo, delegado da cidade. Ele explica que o motivo da elevação deste número é a maior repressão ao tráfico de drogas na cidade, onde a maioria dos chefes das favelas foi presa. Narcizo diz que quando o tráfico é repreendido, há um aumento nos índices de homicídio e furto de veículos, pois é a maneira que a indústria do pó usa para se manter.
Mas como o tráfico elege novas lideranças e assim se restabelece, já este mês percebe-se uma redução dos casos, tendo em vista que o suporte para a manutenção dessa ‘teia’ volta ser a distribuição de drogas. Ele ainda ressalta a importância de se exigir a nota fiscal na compra de peças de automóveis, para que a população não contribua com o furto de veículos.
Com o objetivo de mudar o quadro de criminalidade na cidade, o CONSEG (Conselho Municipal de Segurança) de Nova Friburgo realizou, no dia 11, a contratação do CESEC e do Instituto Sou da Paz para que seja feito um diagnóstico da violência e criminalidade no município. O prazo de conclusão para o mapeamento é de 90 dias. Com isso, espera-se ter um conhecimento aprimorado da criminalidade na cidade, para a criação de planos e metas na solução dos problemas.
Na cidade do Rio de Janeiro, o tráfico de drogas já é considerado o maior produto do crime organizado no país, com difusão internacional. O Secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, foi nomeado pelo governador Sérgio Cabral com a missão específica de reprimir a ação dos traficantes e equipar a PM para o combate.
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Sem comentários »Pesquisa mostra que população quer mais ação social que policial
Segundo levantamento da Fecomércio, setor investiu R$ 28,7 bi em segurança privada.
Educação para crianças e emprego para jovens são vistos como solução para violência.
Alba Valéria Mendonça
De acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira (16) pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio) a violência e a criminalidade têm um impacto brutal sobre o comércio no estado. O levantamento, feito com mil pessoas em fevereiro deste ano, mostra que a sociedade vê nas ações sociais de longo prazo voltadas para a educação de crianças e emprego para jovens uma solução efetiva para diminuir a violência.
Segundo o presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, de 2002 a 2007, o comércio no estado gastou R$ 28,7 bilhões com segurança privada - vigilantes e equipamentos. Montante que equivale a 2,38% do faturamento médio das empresas no período. Se aplicado na geração de emprego, poderiam ser criados 1,9 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, no estado.
“Neste mesmo período, de acordo com o Ministério do Trabalho, foram criados 621 mil empregos formais no estado. Ou seja, a violência tem um grande impacto sobre o setor. O comércio representa 70% do total de empregos formais no país e 80% no Rio,ou seja, emprega 2,7 milhões de pessoas no Rio. Somos a porta de entrada de muitos jovens no mercado de trabalho e, por estarmos perto da sociedade, um termômetro do pensamento da população”, disse Diniz, ressaltando que a pesquisa pode ajudar as autoridades no desenvolvimento de políticas públicas de segurança.
Educação e emprego
A pesquisa - realizada em 70 cidades e nove regiões metropolitanas - mostra que a sociedade acredita nas ações de longo prazo, como educação e lazer para crianças e geração do primeiro emprego para jovens, para solução da criminalidade. Mais até que o trabalho ostensivo de segurança.
“O percentual da população que acredita que programas como o primeiro emprego são a solução para tirar os jovens da criminalidade passou de 25% dos entrevistados em 2007 para 32%, este ano. Enquanto que colocar policiais nas ruas passou de 46% para 37%, na preferência das pessoas. A sociedade é sábia. Ela identifica e percebe que o perfil dos que estão mais suscetíveis à violência são os jovens”, detalhou Diniz.
Segundo ele, o tempo todo durante a pesquisa a população dá sinais de que é fundamental que o poder público se ocupe das crianças e dos jovens, como alvos de desenvolvimento de políticas públicas contra violência no país.
“Na escolha entre a bala e o livro, a população escolheu o livro como melhor solução para resolver o problema da criminalidade. A inclusão social é o caminho. Ela mostra que está saturada com a violência e que inclusive aceita um aumento de impostos para que a verba fosse investida para combater a criminalidade, caso seja necessário”, disse o presidente da Fecomércio.
Sensação de impunidade aumentou
Diniz destacou que a sociedade também acredita que as leis para combater a violência têm de ser mais duras e aplicadas efetivamente.
“A sensação de impunidade é muito grande, cerca de 78% das pessoas ouvidas acham que ela aumentou. Elas querem que a justiça seja mais dinâmica e que as leis sejam atualizadas ou revistas. A percepção da sociedade, acredito que principalmente em função das obras do PAC, do uso da Força Nacional de Segurança e das atuações da Polícia Federal no estado, é de que a segurança pública é uma atribuição do Governo federal. É a União que deve nortear as políticas de segurança. Caberia aos estados adaptar essas leis para as peculiaridades de cada região”, disse Diniz.
No entanto, a população ainda se vê dividida diante da legislação atual. Ao mesmo tempo que exige punição mais rigorosa para os criminosos, não consegue identificar na pirataria um ato criminoso. Segundo a pesquisa, as pessoas não conseguem ver claramente a ligação entre a pirataria e a violência.
“As pessoas ainda acreditam que comprando produtos piratas estão ajudando alguém a obter renda. Isso mostra que tanto os empresários quanto o poder público têm de intensificar as campanhas e mostrar mais fortemente os efeitos nocivos da pirataria para o setor produtivo e para a sociedade, mostrar que ela é um braço do narcotráfico” observou o empresário.
Do G1, no Rio, Alba Valéria Mendonça
1 comentário »Judocas do Projeto Solução ganham medalhas
No fim da semana passada foi realizado o Campeonato Brasileiro Regional de Judô, no Sesc de Guarapari (ES). Vários atletas de Nova Friburgo participaram e conquistaram medalhas, a saber: Diogo de Souza Santos, 31 quilos, e Emanuelle Pereira de Oliveira, 42 quilos, ambos da categoria infanto-juvenil; Christina Queiroz Amaral Duarte, 52 quilos, juvenil (campeões em suas categorias); e Guilherme Ferreira Cordeiro, 81 quilos, juniores, vice-campeão.
Este foi o melhor resultado já obtido por uma cidade do interior do estado do Rio em campeonatos brasileiros da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), ressaltando-se que a final dos juniores foi muito disputada e Guilherme foi batido pelo judoca Osvaldo Pereira, do Flamengo.
A competição contou com representantes das seleções do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que integram a IV Região.
Os atletas friburguenses são inscritos no Projeto Solução, que funciona em Olaria, em parceria com a Associação para o Desenvolvimento Integrado Sustentável (Adis). Eles já estão pensando na próxima etapa do campeonato brasileiro, que agrega os campeões e vice-campeões regionais das seis subdivisões da confederação. O torneio de juniores acontecerá em Manaus (AM), em maio; o juvenil será em junho, em Curitiba (PR); e o infanto-juvenil em setembro, em Recife (PE).
A Voz da Serra - 17/04/2008 

Conseg e CESeC assinam contrato para realização do diagnóstico da violência e criminalidade no município
A diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC), Julita Lengruber, esteve em Nova Friburgo na última sexta-feira, 11, para participar de uma reunião com diretores do Conseg e o secretário Geral da Prefeitura, José Carlos Nacif. O encontro, realizado no gabinete do secretário, formalizou a contratação do CESeC e do Instituto Sou da Paz para a realização do diagnóstico da violência e criminalidade no município.
Orçado em R$ 25 mil, o projeto é financiado pelo Conseg, através de recursos de mantenedores, empresas e pessoas físicas. O objetivo é fazer um levantamento técnico e científico dos índices de violência e criminalidade no munícípio, que servirão de base para ações de combate ao problema. “O diagnóstico é o primeiro passo para a elaboração do Plano Diretor Municipal de Segurança, que será feito em parceria com a Prefeitura”, destacou o novo presidente do Conseg, Zury Maurer.
A escolha do CESeC e do Instituto Sou da Paz foi feita com base no trabalho desenvolvido pelas instituições no âmbito da segurança pública. “Avaliamos as propostas e optamos pelos mais qualificados, que já desenvolveram projetos como o Plano de Segurança de Diadema e o Plano Piloto para o bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro”, explicou o membro e fundador do Conseg, Antonio Carlos Celles Cordeiro.
Prazo para conclusão é de 90 dias
Para José Carlos Nacif, o diagnóstico contribuirá para o planejamento de ações que visem reduzir os indicadores de violência no município. “Não podemos nos omitir da responsabilidade do município. Com certeza saberemos usar esse diagnóstico que possibilitará a busca de recursos junto ao governo federal”, disse o secretário, que elogiou a atuação do Conseg pela melhoria da segurança no município.
O prazo para a conclusão do diagnóstico é de 90 dias e as etapas do projeto foram apresentadas por Julita Lengruber logo após a assinatura do contrato. “Este é um desafio muito grande para o CESeC, que tem se dedicado à pesquisa e a vários projetos na área de segurança”, disse Julita, socióloga com larga experiência no setor, tendo atuado como diretora do Desipe e 1ª Ouvidora de Polícia do Estado.
A apresentação do diagnóstico também contou com a participação de Leonarda Musumeci, que integra a equipe do CESec e é professora de Economia da UFRJ, além de autora de diversas pesquisas e projetos na área de polícia. A reunião contou com a presença dos integrantes da nova diretoria do Conseg, empossada no último dia 27. São eles o arquiteto Sérgio Seixas, a jornalista Myrthes Godoy, o médico Salomão Bernstein, o advogado Rodrigo Guimarães e os empresários Júlio Cordeiro e Odésio.
A Voz da Serra - 14 de abril de 2008
Sem comentários »Conseg quer uma Secretaria de Segurança
Friburguense, engenheiro elétrico e de telecomunicações formado pela Universidade Católica de Petrópolis, empresário do ramo de material elétrico, Zury Alvarez Maurer participa ativamente de entidades e movimentos comunitários. Presidiu a Associação de Engenheiros e Arquitetos (Aeanf) em quatro mandatos (97/99 e 99/2001, 2003/2005 e 2005/2007), sendo seu tesoureiro (2001/2003); foi inspetor-chefe e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). Filiado ao Sindicato dos Engenheiros e ao Clube de Engenharia, é vice-presidente de finanças da Associação Friburguense de Imprensa (AFI) e apresenta o programa “Cidade Real”, ao vivo, às segundas-feiras, 22h, na TV Zoom.
Além de várias atribuições, inclusive familiares (casado, é pai de Gislaine, 9 anos, e José Victor,de dez meses), assume mais uma missão nesta quinta-feira, 27. De diretor de Comunicação ascende, por eleição, à presidência do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Nova Friburgo, para o mandato 2008/2009, oficialmente a partir de 31 de março.
Dizendo que sua atuação voluntária “está no sangue, faz parte do meu DNA”, aceitou o convite como mais um desafio. Nesta entrevista, antecipa seu plano para 2009: aos 50 anos vai cursar Comunicação Social, por descobrir sua veia para a atividade, desde que apresentou o televisivo ‘Hora Técnica’. Enumerando as metas no Conseg, destaca “a informação como fundamental para envolver a sociedade” e anuncia que, “aproveitando o ano eleitoral, vamos comprometer os principais candidatos na criação de uma estrutura de defesa do cidadão; não nos preocupa o nome, qual vai ser a secretaria, temos que ter pessoas qualificadas, pensando estrategicamente na segurança”, diz.
A VOZ DA SERRA - Como foi o processo de eleição do Conseg?
ZURY MAURER - Foi tranqüilo, já vinha sendo tratado desde o fim do ano de forma coordenada, articulada e foi o mais lícito e divulgado possível, até para permitir que outras chapas se inscrevessem, o que não aconteceu. Foi chapa única. Conseguimos, ainda assim, uma votação bastante significativa. A eleição é através do conselho de entidades, 75 por cento delas votaram. Das 38 entidades, dois terços compareceram, a votação foi unânime. Tudo transcorreu com normalidade.
AVS - Qual a sua meta para este ano de mandato?
ZURY MAURER - Entendo que informação é extremamente relevante. A transformação só acontece com informação. Um caso clássico é o Código de Defesa do Consumidor, criado em 1990, mas que, até ganhar força, levou tempo. Da mesma forma é na área da segurança, e segurança hoje é um termo muito abrangente: além da segurança patrimonial, individual, se fala em segurança alimentar, do trabalhador, eletrônica, segurança do trânsito… Segurança passou a ser qualidade de vida. Se não o primeiro, é um dos principais itens de consumo, como saúde, educação, habitação, transporte e emprego. Esta semana iniciamos uma campanha, a princípio na Nova Friburgo AM, com dicas de segurança do cidadão sobre as mais diversas situações. Campanha esta, veiculada diariamente nas classes C, D e E. Estamos expandindo, com adesões da TV Zoom, InterTV e Sucesso FM.
AVS – E quanto às demais iniciativas já em andamento?
ZURY MAURER - Desenvolveremos também a continuidade do diagnóstico da violência e da criminalidade de Nova Friburgo, em fase final de contratação das empresas. Cabe destacar que a Prefeitura tem prestado total apoio, porque o documento permitirá desenvolver o plano diretor municipal de segurança pública. A sociedade civil organizada assume a responsabilidade, já que a Constituição preceitua, de forma muito clara, que segurança ”é dever do estado, responsabilidade e direito de todos”. A sociedade friburguense se mobiliza, com recursos inclusive, para contratar o diagnóstico. Segurança, hoje, tem de ser tratada tecnicamente. As causas da criminalidade e violência são inúmeras, especialmente sociais, mas somente com pesquisa, informação técnica, se pode fazer diagnóstico sobre a realidade e apontar soluções.
AVS – O senhor apontou a informação como prioridade, mas já está comprovado o êxito de projetos sociais e esportivos…
ZURY MAURER - Já trabalhamos neste sentido. Para citar um caso de sucesso, o projeto Solução. O Conseg possibilita assistência financeira mensal ao projeto do professor de educação física, major Carlos Eduardo Hespanha, que atende a 240 crianças de Olaria. Possibilita aos jovens judô de alto rendimento, buscando melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento físico e mental. Incentivamos outras ações, esta é permanente. Não adianta só aperfeiçoar ou otimizar a estrutura de repressão. O trabalho tem que ser para haver menos situações das polícias atuando com força, mas sim, com inteligência.
AVS – O senhor tocou na questão do trânsito. Mas Nova Friburgo não está preparada neste aspecto. Concorda que deveria haver um trabalho maior de planejamento?
ZURY MAURER - Não tenha dúvida. Nossa cidade não tem grandes áreas de ampliação das artérias. O centro urbano está confinado às montanhas. Realmente tem que se fazer um estudo técnico para a disciplina do trânsito. Somente com a adoção de medidas severas se conseguirá retroceder a violência no trânsito. É ainda uma questão educacional, além de medidas técnicas, realmente para disciplinar a circulação de veículos, maior rotatividade em áreas nobres do Centro, locais de estacionamento e, sobretudo, privilegiar o transporte coletivo. Se não houver mudanças significativas, teremos cada vez mais problemas. Existem recursos técnicos. Falta, realmente, coragem para colocar em prática. É preciso que imediatamente o novo governo tome medidas rígidas e severas.
AVS - A atuação da Polícia Militar no trânsito não compromete sua atribuição principal, o patrulhamento da cidade, que garante segurança ao cidadão?
ZURY MAURER - Acredito que sim. Também é uma das finalidades da Polícia Militar, há localidades em que só existe essa alternativa. Mas o batalhão acaba tendo que deslocar efetivo que poderia estar trabalhando no monitoramento de outras situações. Nessa questão do trânsito precisaríamos ter uma autarquia mais forte, técnica, com autonomia e independência para tomar qualquer medida que fosse necessária. E digo mais: deveria ser como o Ministério Público, sem vínculo com qualquer poder constituído, mas com receita destinada às medidas necessárias. E mais: gerenciado tecnicamente. Como é hoje, inibe, restringe, prejudica a qualidade do serviço prestado. Não pode ser na base do amadorismo, da falta de preparo, porque, ao invés de resolver, complica. A PM foi deslocada para essa função por uma questão de natureza jurídica da autarquia local, mas isso terá que ser revisto pelos futuros administradores.
AVS - Nesse diagnóstico, de quanto é o investimento financeiro da sociedade?
ZURY MAURER - Na verdade, é do próprio Conseg. Temos um conselho de mantenedores, com pessoas físicas e jurídicas. Esse diagnóstico custará as nossas reservas cerca de 20 mil reais, disponibilizados às instituições contratadas para elaborá-lo. A sociedade, além de se mostrar atenta, disponibiliza tempo e também verbas, mostrando a grande preocupação em torno da segurança. O plano diretor, diria, já deve perfazer um valor cinco vezes superior, algo em torno de cem mil reais. Aí cabe especialmente ao Poder Executivo; existem recursos disponíveis, bastam ter projetos em nível federal. Esse diagnóstico é preliminar ao plano diretor. Será desenvolvido por uma instituição, o Ceseg, vinculado à Universidade Candido Mendes, com recursos humanos locais. Em 120 dias a cidade será mapeada, indicando onde se registram os índices de violência, por faixa etária, causas, enfim… Depois o plano apontará medidas cabíveis. Uma delas poderá ser o monitoramento por câmeras. Temos várias medidas, mas certamente esta será indicada por se mostrar extremamente eficaz.
AVS - Em sua opinião, por que Nova Friburgo se tornou violenta?
ZURY MAURER - Dois fatores, para não defendermos uma tese. Primeiro, o fato do empobrecimento não só da cidade, mas da região. Por conta disso começamos a ter um aumento quantitativo, e não qualitativo, da população. Esse crescimento desordenado e acelerado promoveu um inchaço da cidade e, aí, segurança não ia ficar imune. O inchaço comprometeu a qualidade de vida: saúde, nosso hospital já deveria ser estadual; educação, não há escolas e creches que dêem conta de atender a todos; habitação, não tem uma política municipal. O último grande projeto foi há mais de 20 anos. E o que acontece aqui se verifica há décadas nas grandes capitais, pólos de atração: índices cada vez maiores de violência e as estruturas acabam comprometidas. Falta investimento, preparo, aperfeiçoamento, tanto profissional quanto da estrutura operacional dos profissionais. Precisa ser revista, urgentemente, a baixíssima remuneração dos policiais do estado do Rio, segunda menor remuneração inicial. Só perde para Alagoas. A violência e a criminalidade estão cada vez mais insustentáveis no Brasil inteiro. Na realidade, o Estado ausente, o crime ocupa. Onde o Estado se mantém, através de uma escola, de um centro de lazer, de uma creche, um posto de saúde, um centro cultural, a bandidagem não tem espaço. Aliás, um outro projeto em que estamos trabalhando com a Secretaria Municipal de Esportes é a abertura de escolas em determinados pontos nos fins de semana. Já houve um trabalho, em determinadas comunidades, com aceitação total. Escolas funcionariam com atividades de lazer, cultura e de diversas naturezas. Já se conseguiu, inclusive, voluntários na comunidade. E estamos tentando junto à Prefeitura pessoal qualificado para este trabalho. As crianças teriam alimentação, pois muitas, infelizmente, só se alimentam durante a semana.
AVS - Num município como Nova Friburgo, com pouco mais de 180 mil habitantes, qual a sua opinião sobre duas entidades atuando na mesma linha? Não se pensou em agregar?
ZURY MAURER - Na realidade, essa é uma característica de alguns movimentos em Nova Friburgo. Normalmente, temos, para uma mesma causa, várias entidades, com o mesmo objetivo, mas não na mesma direção. Isso enfraquece a causa proposta e o objetivo a ser alcançado. Entendo que devemos trabalhar através de projetos, de maneira solidária. Já tive oportunidade de conversar com o Presidente do CCS, dr Carlos Alberto Braga. Disse-lhe que vários projetos poderiam ser trabalhados em conjunto. Acho perfeitamente possível. Ter dois conselhos trabalhando na mesma causa, entendo com absoluta naturalidade. É até melhor, desde que tentem atingir o mesmo alvo. Acho possível um entendimento. Cada um mantendo sua independência, sua autonomia, seus dirigentes, mas nos projetos que forem de interesse conjunto, e principalmente da comunidade, temos que somar. Porque fortalece, traz mais respaldo, consolida as propostas… Também quanto às autoridades constituídas, reconheço seu preparo e treinamento para, justamente exercer as funções, determinadas pela Constituição; por exemplo, as Polícias Civil e Militar. O papel é justamente colaborar. Evidentemente, sempre atentos, acompanhando as medidas, especialmente que não estão sendo tomadas, investimentos que não são feitos. Porque toda a estrutura, que tem um custo elevado, é custeada pelo pagamento de impostos compulsórios. Aí e uma relação de cidadão e cliente.
AVS - Quanto ao problema da carceragem da 151ª DP, qual seria a estratégia de atuação do Conseg junto ao governo estadual para tentar resolver a situação?
ZURY MAURER - Não podemos entender uma cidade como Nova Friburgo, pólo da região, sem uma Delegacia Legal, sem Delegacia de Atendimento à Mulher, nem delegacia de polícia técnica e científica e casa de custódia, que está virando um mito! Precisa ser discutida e esclarecida. A situação hoje de nossa carceragem é de extrema gravidade. A qualquer momento poderemos ser surpreendidos com a interdição. Além do aspecto legal, judicial, já está se tornando caso de saúde pública. Um espaço projetado para entre 70 a 80 presos, abriga 150, estando custodiados tanto detidos preventivamente como os que cumprem pena. Vamos tentar trabalhar com esse impasse, para que se permita a construção num local adequado e possa dar, inclusive, dignidade aos custodiados. A estratégia temos buscado no contato com as autoridades. Estamos trabalhando e vamos fazer prevalecer a condição de termos dois deputados estaduais, Olney Botelho e Rogério Cabral. Segundo, mobilizando a sociedade, de tal forma que em dado momento o governo terá que nos atender. Mobilizaremos a sociedade com campanhas públicas, divulgando as propostas, com a adesão de novas pessoas físicas, jurídicas, outras entidades, aumentando o nosso colegiado.
A nova diretoria do Conseg
A solenidade de posse da nova diretoria do Conselho Comunitário de Segurança de Nova Friburgo (Conseg), acontece nesta quinta–feira, a partir das 9h, no auditório do Senai (Rua José Eugênio Müller 220, Centro). O novo presidente do Conseg, engenheiro Zury Maurer, sucede ao advogado José Carlos Alves.
A nova diretoria do Conseg também é composta pelo arquiteto Sérgio Seixas, o empresário Júlio Cordeiro, o pastor Robson Rodrigues, a jornalista Myrthes Godoy e os advogados Rodrigo Guimarães e Érico Gripp. Completam o quadro outros nove membros, entre integrantes do Conselho Fiscal e suplentes, além de vários voluntários.
A Voz da Serra 05/04/2008
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